Participantes do Empreendedor Rural conhecem a gestão da Ypioca e Cialne

   

Os Os novos empreendedores que recebem a capacitação do Sistema FAEC/ SENAR em parceria com o Sebrae-CE, através do Programa Empreendedor Rural tiveram a oportunidade de conhecer  o modelo de gestão da Companhia de Alimentos do Nordeste – Cialne, que é líder na avicultura do Norte e Nordeste e a quinta maior produtora de leite in natura do Brasil,  e a forma de gestão do Grupo Ypióca, líder no mercado na produção de aguardente. A primeira turma de Fortaleza foi recebida, no último dia 31 de outubro, durante o 9º módulo do curso sobre Cadeias Agroindustriais, pelos dirigentes das empresas. Uma característica comum entre os dois empreendimentos é a administração familiar predominante. Afinal, são 40 anos de dedicação da família Carneiro pela Cialne e 163 anos da família Telles, na Ypióca.
 
Na Cialne, os participantes do PER foram recebidos pela diretora administrativa, Ludmila Carneiro, que ressaltou a prioridade dada no controle biológico dos animais como forma de garantir credibilidade diante o consumidor. Por isso, a empresa vem investindo em tecnologia, garantindo índices elevados de produtividade de avós e de matrizes do País.
 
Além disso, Ludmila faz questão de explicar que o cuidado com a saúde do animal é uma preocupação constante. Segundo ela, a cada carga de aves os caminhões passam por uma rigorosa higienização. Para então, fazer a distribuição do carregamento. Até os funcionários são orientados quanto à criação de bicho de estimação, pois a Cialne não quer correr o risco de afetar a saúde dos animais da empresa (aves, ovinos e bovinos).
 
Cialne é lider na avicultura no Norte e Nordeste

Para uma produção anual de 500 mil aves de corte, 52 milhões de pintinhos de um dia, 92 milhões de ovos, 1.25 milhão de matrizes e ainda 10 mil cabeças de gado, além de 6 mil cabeças de ovinos, a Cialne conta com um sistema  integrado de comunicação  totalmente informatizada , garantindo a troca de informação entre, aproximadamente, 40 unidades para cerca de 2 mil funcionários. A dirigente da Companhia adianta que o gargalo está na captação de suprimentos para as filiais.

No entanto, a gestora se queixa das alterações nas leis que regula o agronegócio. “A legislação atual [citando da GTA e a NT-e] está com um nível de exigência muito grande. No entanto, outras empresas menores escapam dessa fiscalização”, reclama. “Mas a falta de conhecimento dos fiscais que fazem o acompanhamento dos animais nas estradas é preocupante”, alerta.
 
No final do encontro, a anfitriã convidou os participantes do Empreendedor Rural para conhecer, embora de longe, a antiga casa do fundador da Cialne, Dico Carneiro, preservada na empresa. “O seu Dico começou vendendo ovos em uma Kombi”, lembra a diretora, que é neta do fundador.  “O PER é a motivação do retorno de jovens para o agronegócio”, ressalta.
 
“Quando a Diretora Administrativa da Cialne começou a explicar as suas atribuições na empresa, a minha curiosidade só aumentou”, disse o instrutor do PER, André Siqueira. “Além de produzir com excelência ovos, pintos, frangos e leite, a gestora administrativa da Cialne absorve toda a parte de suprimentos que vai desde a carpintaria, oficinas, a sistema de lavagem de caminhões. Tudo isso é interessante para a nossa turma que é formada por jovens. Hoje eles sentiram como  funciona  uma empresa e a dimensão que ela pode tomar”, avalia Siqueira.
 
Ypioca do processo produtivo até a aguardente tudo é aproveitado

Na sede administrativa do Grupo Ypióca, a turma do Empreendedor Rural de Fortaleza foi recepcionada pelo diretor de planejamento, Paulo Telles. Durante a explanação, Telles levantou a importância do valor agregado ao produto principal, como diferencial da empresa. Além do reaproveitamento dos subprodutos gerados na fabricação da cachaça. Atualmente, o grupo trabalha com dois tipos de produtos, a cachaça comum e a cachaça saborizada.
 
No processo produtivo da aguardente tudo é aproveitado. Da cana se extrai a cachaça, mas se aproveita o olho da cana que é ofertada aos bovinos que, dependendo da época, pastam livremente no canavial após a colheita. A adubação é feita naturalmente. A água utilizada para retirar o excesso de areia antes da moagem é utilizada na pecuária, “pois seria um desperdício não aproveita este recurso natural” afirma. A palha também é reutilizada neste processo, pois ao distribuir no campo inibe o crescimento de capim e, somado com o esterco, garante reserva de nutrientes para o próximo canavial.
 
Além de papel e papelão, plástico (fabricação da garrafa pet), lenha ecologicamente correta (briquete de cana) que é utilizada na caldeira, bagaço, levedura, a Ypióca conta com o Projeto Hotel de Vaca, na qual o pecuarista hospeda 1 tonelada de vacas na época da estiagem, por exemplo. Quando, ao término desse período, o produtor recolhe a mesma tonelada de animais, mas não a mesma quantidade. O esterco produzido no Hotel vai para o canavial servir como adubo. 
 
“Estamos sempre olhando a nossa realidade para não fantasiar os resultados. Por isso, ressaltamos as potencialidades regionais onde a empresa possui suas unidades para não atingir um efeito inesperado, seja ela no campo ou na comercialização dos produtos”, orientou Telles. “Não é copiar, trata-se de adaptar as boas técnicas que vimos lá fora para a nossa realidade”, completa.
 
O planejamento tem um papel fundamental nesse processo, segundo o diretor do Grupo. “A planta não espera. Na época de adubar, adubamos. Na colheita, colhemos. Se não houver um planejamento para esse tipo de negócio, principalmente, quando a matéria prima é perecível nesse tipo de negócio há um risco de perder parte da produção e comercialização”, expõe.
 
“Quer ver um exemplo de pessoa inteligente. É aquela que aprende com os seus erros. Mas considero sabia a pessoa que consegue aprender com os erros dos outros”, ensina. “Aqui é o local onde os alunos do Empreendedor Rural têm a oportunidade de aprender com os erros de outras pessoas e conhecer também as boas experiências”, conclui.
 
Para o participante do Empreendedor Rural que é filho de agricultor, o estudante de agronomia pela UFC, Guilherme Lavor,  foi uma  surpresa agradável  tomar conhecimento de empresas deste porte, como a Cialne e a Ypióca. “Apesar de ser familiar, em ambos os casos, o tratamento entre eles é estritamente profissional, com um alto nível de exigência”, disse. “Fazem realmente por merecer, gostei bastante da visita”, completa.
 
“Outra característica importante é independência empresarial que os dois grupos possuem. Eles não terceirizam nada. Tudo é produzido no interior das empresas para suprir as necessidades das organizações”, encerra o aluno do PER.